Flavia Aranha e suas soluções para além da roupa.

Flavia Aranha é um nome muito conhecido para quem está ligado nas marcas que estão criando moda de um jeito mais consciente. A estilista é uma das pioneiras nesse sentido. Há 9 anos produzindo roupas com fibras e tingimentos naturais, valorizando as pessoas envolvidas neste processo, através da marca que leva o seu nome.

O que talvez pouca gente conheça são as outras alternativas desenvolvidas, para reforçar este cuidado com as roupas de uma forma holística, alinhadas aos valores da marca. Serviços e produtos que ampliam as possibilidades para quem quer ter uma relação de mais carinho com suas peças.

Conversamos com a estilista no BEFW, para ouvir mais sobre estas alternativas. Confira a entrevista completa:

"Percebemos que muitas clientes começaram a se conectar com o processo do fazer da roupa, mas quando chegavam em casa, lavavam as peças com sabão da indústria petroquímica." explica Flavia.

Reflexões como esta serviram para nascer não só um novo produto - um sabão de lavar roupas biodegradável com base de aloe vera (disponível em nossa Antiloja) - mas também novas formas de conexão entre as pessoas e as peças que vestem. 

É preciso inovar e pensar além da produção de roupas como alternativa única para usar a criatividade no universo da moda e entregar soluções que cuidem do planeta e das pessoas.

O exemplo da Flavia Aranha nos mostra na prática como isto pode acontecer.

A ideia de usar a moda para expandir a visão de mundo das pessoas também se materializa nas etiquetas que acompanham as peças. Através delas, as pessoas podem acessar conteúdos que mostram todo o processo que a peça peça passou desde a escolha dos fornecedores de fio até o corte, "as pessoas podem assistir com o a roupa foi feita", comenta Flavia.

Além de vestir, a roupa é também registro de seu processo produtivo, que revela uma trama preciosa de saberes, tradições e improvisos urdidos na produção artesanal. Ater-se a essa memória é valorizar não só o produto final, como também seus materiais e especialmente, quem o produziu.

Workshops e cursos oferecidos no ateliê-loja na Vila Madalena em SP, também tem servido para convidar o público a experienciar estes processos produtivos e compartilhar os saberes acumulados em anos de desenvolvimento da marca. A venda de kits e insumos, para que as pessoas possam experimentar tingir as próprias peças em casa, são mais uma forma de proporcionar a descentralização do conhecimento.

"A gente não quer ser grande, não quer ter 80 lojas, a gente tem que incentivar outras iniciativas para potencializar esse impacto exponencialmente, criar uma rede de pessoas que estão usufruindo desse conhecimento." comenta Flavia.

Neste sentido, pra fortalecer a produção de tecidos natuais e orgânicos, a alternativa encontrada foi passar a revender tecidos dos fornecedores que garimparam ao longo do tempo. A ideia partiu do desejo de apoiar estes produtores, que ainda são minoria, para que possam expandir sua atuação, criando mais formas de escoar e oferecer sua matéria prima. Já que produção da Flavia Aranha, sem pretensões de ser de larga escala, não demanda tudo o que é produzido. 

Desta forma outras marcas, que não teriam acesso a comprar direto do produtor, podem ter acesso a esta matéria prima, criando peças com os tecidos revendidos. Mais uma forma de tornar acessível e diversificar o tipo de peça criada com o mesmo tecido.

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O Projeto Circular é outra destas iniciativas que somos super fãs. Um brechó online, em que as clientes da marca colocam suas peças usadas para serem revendidas. Todo o lucro é direcionado aos projetos socioambientais que estão ligados aos grupos produtivos com os quais a Flavia Aranha trabalha.

Nos primeiros três meses de projeto, mais de 2 mil reais foram arrecadados e destinados para montar uma loja virtual para a Central Veredas, associação de Minas Gerais com a qual trabalham há pouco mais de 1 ano. E o melhor: contas  abertas e divulgadas no blog da marca.

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Descentralizar, criar novos modelos de negócios, novos serviços e produtos para ajudar as pessoas a terem uma relação mais carinhosa com as roupas é o tipo de atuação que a gente acredita, divulga e apoia muito no Roupa Livre. É tema recorrente presente em nossos cursos, palestras e mentorias onde ajudamos também quem quer desenvolver um trabalho seguindo por este caminho.

Ficamos muito felizes de ter cada vez mais exemplos brasileiros para citar como referência e a Flavia Aranha que já era uma referência na forma como desenvolvia suas coleções, agora também é com relação a estas novas frentes de atuação.

--- Post escrito com carinho, por Bruna Neto e Mari Pelli.

*imagens: divulgação blog Flavia Aranha.

Como foi o segundo dia da brasil eco fashion week

A BEFW, além de ser a primeira semana de moda sustentável do Brasil, pra gente foi praticamente um parque de diversões do mundo das manualidades. Além da exposição, desfiles e palestras de marcas e iniciativas que estão criando novas formas de nos relacionarmos com as roupas, rolaram diversas oficinas no Espaço Lab, promovido pelo Moda Limpa e outros parceiros. 

Participamos de algumas delas e saímos de lá com algumas peças especiais feitas nós para guardar de lembrança. Entre elas, uma bolsa com tecido de carpete reaproveitado, colares feitos de crochê sem agulhas, um tecido lindo do Banco de Tecidos tingido com índigo natural e, claro, deixamos nossa contribuição para a bandeira do evento. Só sucesso!

Voltamos pra casa com coisas feitas por nós, com novos amigos e amigas, histórias fresquinhas e o coração feliz. Muito melhor do que quando a gente volta de um evento com sacolas de amostras, papéis, propagandas e outras coisas sem utilidade. Um novo olhar pros eventos também ;)

Delícia também foi ouvir histórias de quem se inspirou no Roupa Livre para os seus trabalhos, inclusive na faculdade. Esse foi o caso da Isa Vert, que desenvolveu seu projeto de conclusão de curso e foi uma das escolhidas do concurso Kick Off Designers. Ela desenvolveu um editorial de moda com roupas de brechó que estava exposto na área de novos designers do evento. 

Ela nos contou que quando escolheu falar sobre mais consciência na moda no seu TCC os professores não deram muito apoio e ela teve que insistir muito pra poder seguir em frente. Até quando esse tema vai ficar tão de fora das faculdades gente? Ficamos muito felizes dela ter insistido no tema e no fim das contas foi ela quem acabou ensinando os professores, não é mesmo?

Uma das melhores partes de participar de eventos ao vivo é poder conversar olho no olho com quem já nos conectamos através das telinhas. Ouvir uma história dessas então, dá o maior orgulho. <3

Isa Vert visitando nossa Antiloja :)

Isa Vert visitando nossa Antiloja :)

 

Neste dia também aconteceu a mesa "Panorama da Moda no Brasil e o Momento de Transição", que contou com a presença do professor e historiador João Braga, da estilista Gabriela Mazzepa, da pesquisadora Lilyan Berlim, da representante do IBMODA Luciane Robic e da estilista Ana Sudado. 

Os integrantes falaram sobre como a moda está criando um novo espirito do tempo e uma mudança de modos - mais preocupada com a sustentabilidade. Também salientaram a importância de pensar em sustentabilidade em várias ordens e como um sistema de permanência, e não como efemeridade ou tendência. 

Ressaltamos a fala emociante do João Braga, que contou sobre uma muda de planta que ganhou no primeiro evento relacionado a moda consciente e que começava a dar as primeiras flores. Ele traçou um paralelo entre o desenvolvimento da planta e o do universo da moda consciente, que está florescendo cada vez mais. O BEFW foi uma dessas flores bem lindas que pudemos ver nascer. Alegria a nossa de poder ver estas sementinhas brotando e a emoção dele ao falar sobre essa história.

O segundo dia de evento foi também o primeiro de desfiles. Augustina Comas apresentou as peças da sua marca Comas, de upcycling. Conforme iam desfilando os looks, a estilista descrevia um pouco das etapas do processo de produção. Um detalhe que fez toda a diferença, já que uma das coisas que mais sentimos falta no mundo da moda tradicional é saber como são feitas as nossas roupas.

As marcas Envido, Aurora, Movin, Francesca Cordova e Natural Fashion Collor também apresentaram suas coleções. Confirma mais fotos aqui

‎Essa foi nossa terceira ação presencial com a Antiloja do Roupa Livre. Para além da experiência de venda, percebemos que o público está cada vez mais acessível aos produtos com propostas de diminuir o consumo de lixo. Pra você que não pode nos visitar presencialmente nestes eventos, confira os nossos itens na versão on-line. Enviamos para todo o Brasil. 

Foram dois dias tão incríveis, tanto carinho e tantas amizades que na hora de nos despedir a sensação era a de estar saindo de um lugar em que a gente tinha morado por um tempo. Mal podemos esperar pela próxima edição de tão valioso que foi. Nos vemos por lá?

--- Post escrito com carinho, contendo os highlitghts da Bruna Neto, Mari Pelli e Bárbara Poerner.

Pra amar ainda mais o Banco de Tecido: conheça os Costurados.

Aproveitamos nossa participação no BEFW, onde éramos vizinhos da lodjinha mara que o Banco de Tecido montou por lá, pra conhecer as novidades do projeto. A gente, que já ama essa ideia há tempos, ficou super feliz de conhecer o mais novo lançamento do Banco: os Costurados!

Pra quem ainda não conhece, o Banco de Tecido é a primeira iniciativa brasileira dedicada a circulação de tecido de reuso. Eles solucionam a sobra de produção de confecções e ateliers, através de um sistema misto de troca e venda onde o tecido é o produto e também a moeda corrente.

Na prática funciona assim: você deposita suas sobras de tecidos. Elas são pesadas e organizadas com carinho. Você recebe créditos por cada quilo depositado no Banco, gerando uma conta corrente. Use estes créditos pra retirar outros tecidos depositar por lá quando quiser, tudo de uma vez ou em partes.

O projeto já existe há mais de três anos e segue buscando desenvolver soluções para lidar com o problema dos resíduos têxteis. "Nossa ideia é tentar acabar mesmo com todo o desperdício. (...) Começamos a receber algumas sobras menores - chamado enfesto - e passamos a fazer tecidos desse material", diz Olintho.

Foi assim que nasceram os Costurados: tecidos inteiros, feitos a partir da emenda artesanal de vários outros, realizada por grupos produtivos relacionados a economia solidária. Os pedaços são de tamanhos e cores variados, porém escolhidos a dedo pelo próprio Olintho que cuida do desenvolvimento de combinações lindas! 

Confira no vídeo nosso papo com o Olintho, daquelas pessoas que tem um olhar simpático e muita bagagem no universo têxtil: figurinista por muitos anos, também trabalhou no universo têxtil, em confecções, como modelista e cenografia. Com a arte e a moda sempre andando lado a lado em sua vida, ele muito a dizer sobre este mercado:

O Banco de Tecido tem um papel fundamental entre as iniciativas que estão criando esta nova forma de lidar, criar e consumir itens têxteis. Torcemos para que eles sigam com este trabalho maravilhoso que contribui para um mercado de moda que produza menos lixo. Não deixe de visitar as unidades físicas do projeto, que ficam em São Paulo e Curitiba e também de acompanhar o projeto pelas redes.

--- Post escrito com carinho, por Bruna Neto e Mari Pelli.

A vibe boa de 2018 não vai vir com a roupa nova de Réveillon.

Eu sou dessas que curte escolher a cor da roupa da virada de acordo com as minhas intenções pro ano que se inicia. Só que de alguns anos pra cá abandonei a ideia de que essa roupa precisava ser nova. Ao invés de me preocupar com isso, comecei a focar mais em refletir sobre o que passou e mentalizar as minhas intenções pros próximos meses na época do Réveillon. Acho que esse balanço geral ajuda muito a direcionar nossas energias. Mesmo que seja só mais uma data no calendário, e sabendo que é posssível recriar histórias a qualquer momento, amo rituais.

O que muitas vezes acontece é que os rituais ficam em segundo plano, em meio aos inúmeros gatilhos de consumo que recebemos na época das festas. Mas no fim das contas o que importa mesmo é a nosso cuidado com cada ação, nesta ou em qualquer época. A good vibe do Ano Novo depende muito menos da brusinha nova e muito mais da presença e intenção. 

Neste vídeo a Anaïs Karenin da INA NIN (@ina_nin) ensina a fazer um banho de ervas para você reenergizar suas roupas através das plantas. Os banhos de ervas corporais já são nossos conhecidos. Mas ao banhar uma peça com uma planta escolhida por você, a energia dela fica em contato com o seu corpo por mais tempo. A dica vale para o Ano Novo ou para qualquer dia do ano. 

Faça um banho de ervas e traga energias novas para qualquer peça sua. <3 Eu aderi a este ritual e pretendo incluir cada vez mais o contato com as plantas na vida. Acredito que deste contato nos conectamos com a natureza de formas cada vez mais profundas.

O vídeo completo da nossa conversa com ela vai ao ar muito em breve, já que em 2018 a gente vai agitar nosso canal do YouTube, mas a dica deste pequeno ritual que você pode fazer e trazer good vibes pro seu 2018 tá aqui:

Que o seu Ano Novo seja cheio de abraços e carinho dos que você ama. Que ele traga perspectivas positivas para o que vem por aí, muita alegria e coragem pra gente enfrentar o que quer que seja. Por aqui, seguimos juntos e juntas.

--- Post escrito com carinho por Mari Pelli.

BEFW - dia 2 do Roupa Livre na estrada

No primeiro dia no Brasil Eco Fashion Week já deu pra sentir que, para quem ama o cenário dessa moda mais consciente, participar desse momento está sendo muito importante. Pra gente é uma felicidade enorme ver este movimento tomando corpo e ter tantas pessoas que nos inspiram e com quem trocamos ao longo do ano reunidas em um só espaço. Momento único.

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Assim, fazendo o que a gente ama, entre costuras e conversas, nos conectamos com as organizadores do Fash Rev de Porto Alegre e Blumenau, recebemos muitas visitas queridas na nossa Antiloja, entrevistamos a Augustina - da Comas - e a Dari - da Alinha, e em breve teremos muitas novidades pra compartilhar com você no nosso canal no Youtube.

Participamos de uma oficina de confecção de bolsas a partir de pedaços de capete oferecida pelo pessoal do Design Possível na Mesa de Fazeres Manuais do Espaço Lab, produzido pelo Moda Limpa em parceria com o FIS / FGV.

Além das muitas conexões, também vivemos na pele o que é colaboração. O frio e vento chegaram com força no começo da tarde e o que nos salvou foram os tecidos maravilhosos e o carinho da equipe do Banco de Tecido. 

Mas já que este post é um breve apanhado do que vimos neste primeiro dia, não vamos nos estender muito. Aqui vão links e resumos do que achamos que vale a pena espiar:

- A Natural Cotton Color, que oferece produtos e tecidos feitos com algodão orgânico, está vendendo exclusivamente no evento tecidos incríveis. Quem quer criar utilizando este material não pode perder.

- A Boomera, que transforma resíduo em matéria-prima para produtos surpreendentes, está por lá também contando sobre as soluções que tem encontrado para o resíduo têxtil e demontrando como fazem botões a partir da reciclagem de tecidos. 

- Outra novidade bacana é o Biosoftness. Um produto que inibe o crescimento de bactérias e fungos nos tecidos - e assim diminui a quantidade de lavagens necessárias (estamos revendendo na antiloja do Roupa Livre durante o evento).

- A Mesa "A Importância da Igualdade de Gênero Para Sustentabilidade na Moda" valeria um post a parte. Organizada pela Marina Colerato do Modefica, e com a participação da Carol Delgado (O Puxadinho), Nana Lima (Think Olga) e Luiza Fabiani Medeiros (Abit) o papo rendeu super. Pra gente, ficou muito forte a mensagem da importância da acessibilização.  Conceito que sugere pegar o conhecimento que adquirimos e tornar acessível para os outros. Uma forma daqueles que conseguiram "evoluir" no seu processo, que tem os mais diversos privilégios, voltarem pra "pegar" quem ficou pra trás. Algo possível de se fazer todos os dias. Acreditamos que esta é uma missão a ser seguida, não só no universo da moda, como também na vida. Por aqui vamos tentar nos puxar mais nesse sentido.

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Sentimos que o evento como um todo, é uma grande celebração da evolução das sementinhas plantadas por quem está neste rolê há alguns anos.

E o segundo dia de BEFW promete. Pra começar, vamos receber pessoas muito importantes para o Roupa Livre num café da manhã na nossa antiloja. Da programação oficial destacamos: 

  • A mesa que vai rolar ás 14h: "Panorama da Moda e o Momento de Transição".
  • Os desfiles que começam hoje e rolam amanhã também.
  • Lançamento do documentário River Blue.
  • Espaço no showroom para experimentar o tingimento natural da Aiginska.
  • Além das várias rodas de conversa e oficinas manuais no espaço Lab.

Confiram a programação no site e não deixem de ir!

--- Post escrito com carinho, contendo os highlitghts da Bruna Neto, Mari Pelli e Bárbara Poerner.

Diário de bordo: Roupa Livre na estrada - Dia 1

Sair da zona de conforto é bom, né? A gente tá adorando!

Pegamos a estrada na sexta-feira saindo de Floripa. Carro cheio, malas prontas e nossa aventura começa. Eu, Mari Pelli, Larusso e Nori em uma viagem cheia de reflexões filosóficas. Pela frente, programação intensa, muitas pessoas queridas para encontrar e a agenda cheia. Já que a gente gosta mesmo é de aproveitar oportunidades, vamos de um evento colaborativo para outro: Galaxya Live, Brasil Eco Fashion Week, ColaborAmerica.

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Nossa primeira parada foi no Galaxya, um evento que reuniu pessoas criativas que buscam trabalhar não só com propósito, mas também carregam em seus produtos reflexões sobre o mundo em que vivemos. Dia cheio de palestras, oficinas e uma feirinha de makers. Iniciativa da Espaçonave, da querida Rafa Cappai, que nos convidou para fazer parte.

Montamos nossa antiloja  com produtos que ajudam pessoas a cuidarem melhor das roupas que já têm. Chamamos assim pois pra gente só faz sentido vender algo pras pessoas se o produto estiver a favor de uma reflexão para outras questões, como o consumo consciente, por exemplo.

Pra gente, além do momento da venda, o mais valioso mesmo são as pessoas que a gente conhece, as conexões estabelecidas, o afeto nas relações e as conversas inspiradoras com as pessoas que a gente ama. 

Fluxonomia

Um dos momentos da programação que me fez refletir muito foi na fala sobre Fluxonomia 4D, assunto trazido pela Lala Deheinzelin, que de forma brilhante usou habilidades do teatro para fazer o público refletir sobre a vida em um futuro em que as pessoas de fato agem de forma colaborativa, criativa, compartilhada e de multimoedas. Foi curioso ver como a arte, o propósito e a criação estão diretamente ligadas ao empreendedorismo no evento. Outra experiência transformadora foi poder vivenciar o momento de facilitação poética, feito pelo artista Nuno Arcanjo, que usa da poesia para relembrar o público dos principais pontos dos paineis.

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Sabe o que é mais legal disso tudo? É que esse foi só o começo. Ainda temos muito conteúdo novo para buscar e tudo isso com o coração aberto para mais encontros!

Que os próximos dias sejam cheios de trocas, não só de roupas pelo app do Roupa Livre, mas também com os outros corações quentinhos com quem nos conectaremos no caminho.

--- Post escrito com carinho por Bruna Neto.
 

Roda de Conversa SPFW - Resistência na Moda

 
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Com quem fizemos: Modefica + Squad + TNT.Lab

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O QUE FOI FEITO?

O projeto TNT.Lab da TNT Energy Drink promoveu uma série de discussões em seu lounge no SPFW Edição 43. Participamos de uma das mesas ao lado da Marina Colerato (Modefica) e Bianca Pereira (Squad) sobre “Resistência na Moda”. Nós levantamos o questionamento sobre a necessidade de produzirmos cada vez mais roupas no mundo enquanto a Squad contou sobre os desafios e a importância de levar modelos fora do padrão estético para as passarelas. Duas propostas que atuam em campos diferentes, mas que em comum desafiam a forma como a indústria da moda vem atuando e se consolidou. Um papo muito rico, mediado pela Marina, que através do Modefica promove discussões super relevantes para este universo.

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POR QUE IMPORTA?

Participar de eventos como o São Paulo Fashion Week e ter espaço para falar sobre formas de resistir e fazer diferente dentro do universo da moda é super significativo. Se são nestes eventos que os profissionais do mercado buscam informações sobre suas próximas criações, é fundamental que também encontrem questionamentos e contrapontos para a forma que atuam e assim possam transformar seu trabalho.

Aceitamos participar desta proposta a convite da marca de energéticos TNT, porque apesar de não ser um produto que nós recomendamos o consumo, a participação da marca foi em dar a voz a quem está agindo para criar novas realidades e este é um dos critérios que levamos em conta na hora de aceitar convites do tipo.

RESULTADOS

Cerca de 30 pessoas que participavam do SPFW assistiram ao debate e pudemos notar o quanto as informações eram totalmente novas para muitos dos que estão habituados ao universo tradicional da moda. A Revista Trip fez a cobertura do evento.

COMO FOI VIABILIZADO

Passagens de ida e volta de Floripa a São Paulo + Cachê pagos pela TNT.

Oficinas, Curso e Ateliê Aberto

 
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Com quem fizemos: A Costureirinha + Tomada Cultural + Nayra Amaral + SESC Pompéia e Jundiaí

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O QUE FOI FEITO?

Realizamos ações nas unidades Jundiaí e Pompéia do SESC. No Sesc Pompéia, realizamos durante uma programação especial sobre moda, 4 turmas da oficina de Re-Roupa. Em Jundiaí, abrirmos as portas do Ateliê recém montado do SESC para uma tarde de costura, upcycling e estamparia ao lado da Nayra Amaral e Maria das Três. Foi também no SESC Jundiaí que aconteceu a primeira edição de maior duração do curso Futuro da Roupa, onde em três encontros pudemos nos aprofundar nos conteúdos e colocar ações em prática.

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POR QUE IMPORTA?

 

Nas ações realizadas em parceria com o SESC as trocas são sempre muito ricas já que o público atingido e que participa das atividades é muito diverso. Além disso, contribuímos com a programação de um dos equipamentos culturais mais relevantes da atualidade e compartilhamos conhecimento e capacitação com uma comunidade que está buscando se reiventar: os comerciantes. Neste vídeo da série Estourando a Bolha, do canal do Modefica no Youtube a Cris Bertolucci fala sobre como o SESC contribui para a arte têxtil há bastante tempo.

RESULTADOS

Cerca de 70 pessoas participaram de todas as atividades propostas, sendo um público bem diverso.

QUANTO CUSTOU E COMO FOI VIABILIZADO

Todas as atividades foram remuneradas pelo SESC de acordo com seus valores padrão de hora aula oferecido aos oficineiros, entre R$ 120-150/hora, mais as despesas com transporte e alimentação.

Oficina “Costura pra Quem Causa” + Instalações

 
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Com quem fizemos: Instituto Alinha + Red Bull Amaphiko

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O QUE FOI FEITO?

Uma oficina de costura gratuita, guiada pelos costureiros de oficinas alinhadas pelo Instituto Alinha. Os guardanapos de tecido e aventais costurados com tecidos de reuso do Banco de Tecido foram doados para outros projetos que participaram do festival, como o Raizs e o Comida do Amanhã. Esta ação aconteceu durante o Festival Red Bull Amaphiko, onde também criamos instalações para provocar a reflexão sobre dados da indústria da moda, como o consumo de água para a produção de uma peça de roupa e a remuneração dos costureiros.

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POR QUE IMPORTA?

 

Além de aprenderem a parte prática da costura, os participantes puderam ouvir as histórias dos costureiros e trocar aprendizados com quem vive esta realidade. As instalações trouxeram informações importantes para quem busca ter mais consciência ao consumir e assim as duas atividades propostas contribuíram para que as pessoas pudessem se conectar com a realidade das oficinas de costura e aprofundar suas reflexões individuais.

RESULTADOS

40 pessoas participaram da oficina e mais algumas circularam pelo Ateliê para conhecer a proposta. 40 peças, entre aventais e guardanapos foram produzidos e praticamente todos doados. Cerca de 1.500 circularam pelo evento e puderam ver as instalações.

QUANTO CUSTOU E COMO FOI VIABILIZADO

Esta ação fez parte do programa do Red Bull Amaphiko, que fomos semi-finalistas em 2017 e por este motivo participamos do festival como convidados. A estrutura, tanto de espaço como de materiais utilizados, foi toda cedida pela Red Bull Amaphiko e o Red Bull Station. Os costureiros foram remunerados pelas suas horas de trabalho e tanto nós do Roupa Livre como a equipe da Alinha trabalhamos de forma voluntária.

Oficina-Mutirão “Pimp My Roupa”

 
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Botamos a mão na massa e transformamos peças usadas e faixas reflexivas que seriam descartadas em roupas novinhas para os catadores

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O QUE FOI FEITO?

Dentro do evento PIMP My Cooperativa, do projeto PIMP My Carroça, realizamos um mutirão de aulas de costura com A Costureirinha e oficina de Re-Roupa. Botamos a mão na massa e transformamos peças usadas e faixas reflexivas que seriam descartadas em roupas novinhas para os catadores da cooperativa de acordo com suas necessidades: acrescentando bolsos para que carreguem documentos, mangas longas ou capuzes para proteção de sol ou chuva, adicionando faixas reflexivas de segurança ou simplesmente "pimpando" as roupas de acordo com os pedidos do catador (um tecido colorido aqui, uma estampa ali).

Criamos as re-roupas em sintonia com o que o Pimp My Carroça propõe: promover a auto estima e melhorar a segurança do catador, como o Pimp faz através da pintura melhoria de sua carroça, por exemplo.

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POR QUE IMPORTA?

Pimp Nossa Cooperativa é um projeto do Pimp My Carroça que revitaliza o espaço das Cooperativas de catadores de lixo, ressignificando o local para quem trabalha por lá e também para a sociedade. Através de um evento cultural para os catadores e moradores da região da Cooperativa, são realizadas ações voltadas a tornar o espaço mais organizado, agradável e bonito, em paralelo ao atendimento dos catadores e suas carroças.

Os catadores de lixo desempenham um papel fundamental na nossa sociedade, dando conta de um problema que é de responsabilidade de todos nós: a quantidade absurda de lixo que produzimos. Este tipo de ação, que a gente apoia e assina embaixo, busca tirar da invisibilidade estes profissionais tão importantes para o mundo que vivemos e sensibilizar a sociedade para a causa do lixo.

RESULTADOS

Produzimos quase 20 peças de roupas Re-Roupadas e ensinamos o básico da costura para cerca de 5 mulheres da cooperativa. Nos juntamos a 23 voluntários, 22 artistas e 32 cooperados que participaram do evento.

QUANTO CUSTOU E COMO FOI VIABILIZADO

Todos os custos de locomoção, alimentação e produção da atividade foram pagos por Mari, Gabi e Elisa, que também trabalharam voluntariamente para o projeto.

Fashion Revolution Week Salvador

Ouvi dizer que a nossa alma só chega em casa 3 dias depois que a gente volta de viagem. Eu, particularmente, sinto que quando vou pro nordeste a minha demora umas boas semanas para se desligar totalmente do clima caloroso, acolhedor e energizante dessa região tão especial do país. Não tem uma vez que eu volte sem achar que já vivi por lá em outras vidas.

Não foi diferente desta vez, quando estive em Salvador participando do Fashion Revolution Week Salvador, em Abril, à convite da Ana Fernanda do Justa Moda. Esta temporada pela capital Baiana foi ainda mais especial, pois tive a oportunidade de me conectar com a galera de lá que está movimentando esse novo jeito de lidar com as roupas.

(Um grande parenteses para comentar como está sendo lindo de ver o Fashion Revolution Brasil ganhar corpo. Acompanhei à distância a programação de várias outras cidades, um pouquinho presencialmente também em Floripa, e morri de vontade de participar de várias das atividades que rolaram. Tendo participado desde a edição de 2015, é super motivador ver crescer o número de pessoas interessadas em questionar quem fez e de onde vem suas roupas a cada ano. De pouquinho em pouquinho esta ideia está se espalhando e isso é ótimo. Espia aqui pra saber mais se você ainda não conhecer o Fashion Revolution.) 

O FASHION REVOLUTION WEEK SALVADOR

Pra começar, o evento foi maravilhosamente organizado pela própria Ana junto com a Fernanda Pimenta e mais um batalhão de voluntários e colaboradores. Elas deram um show, cuidando de tudo nos mínimos detalhes, montando uma programação cheia de bate papos e oficinas enriquecedoras, viabilizando com muito carinho a ida de alguns convidados de fora da cidade (eu inclusa) e juntando assim uma galera muito massa pra trocar, durante os 4 dias do evento. Assim os participantes puderam realmente fazer uma imersão no assunto, ter acesso a informações do porque é importante questionar as marcas e se co-responsabilizar sobre a origem de suas roupas. E tudo isso acontecendo fora do eixo Rio-SP, valorizando culturas de outros cantos do país, o que rende sempre pontos extras.

Elas chegaram nesse nível de evento tão maravilhoso porque além de serem porretas, começaram a preparar tudo com antecedência, pensaram direitinho o que queriam fazer e foram atrás de apoio via edital e parceiros locais. Óbvio que todo evento sempre tem seus imprevistos e correrias, mas é bem mais fácil tirá-los de letra quando as coisas estão mais organizadinhas. Tenho muuuito a aprender com elas, já que por aqui acabo fazendo as coisas de um jeito mais atropelado do que gostaria e gastando muito mais energia do que seria necessário se eu me organizasse melhor. Obrigada pelos aprendizados e pela oportunidade de participar disso tudo que vocês agitaram. <3 Sou muito grata por isso.

Outro ponto alto foi poder conhecer pessoalmente pessoas que eu já admirava e trocava ideias virtualmente, como a Adriana Costa da Agama Bolsas, a Ana Soares do Hoje Vou Assim Off, Thais Faria e Carolina Pacheco do Roupa Refeita além da própria Ana, que foi uma das primeiras participantes das mentorias do Roupa Livre em 2015, mas que só nesta oportunidade pude conhecer ao vivo e a cores. ♥

É nestes encontros que a gente renova as energias e percebe que estamos fazendo parte de algo maior, que cada uma do seu jeito está contribuindo pra promover um novo olhar pras roupas e esse esforço todo sempre se soma. E a cada encontro destes sinto que por mais que a gente fale quase que diariamente sobre este novo olhar pras roupas, sobre estes questionamentos todos e tal, ainda tem muuuito pela frente. Tem muita gente que ainda não teve o estalinho de começar a perceber o que está por trás do que as veste e precisamos espalhar esta mensagem.

Além dessa mulherada, conheci o André Campos do Repórter Brasil, uma das mais importantes fontes de informação sobre trabalho escravo no país e responsáveis pela criação do aplicativo Moda  Livre que avalia as medidas que as principais empresas do setor adotam contra o trabalho escravo. Também pude conhecer a Bia Simon da UNEB e a Phaedra Brasil do SENAC BA, com quem participei de uma das rodas de conversa, ambas professoras que conseguem incluir estas temáticas em sala de aula e em suas pesquisas. Uma missão, por incrível que pareça, que exige muita determinação, pois em geral as grades curriculares pouco consideram o cuidado com quem faz e com os impactos da produção em suas aulas.

Foram dias de muitas trocas e aprendizados. Conheci tanta coisa incrível por lá que escrevi um roteiro do Mapa da Mina destacando as melhores dicas. No post tem mais detalhes das atividades que rolaram durante o Fashion Revolution Week Salvador também. Mas pra sentir um pouquinho o clima, confere as fotos do evento:

E confira essa matéria bem bacana que saiu sobre o FashRev Week Salvador no programa Aprovado:

Só tenho a agradecer à Ana e a Fernanda pelo convite, por terem organizado tudo tão incrivelmente bem. E que venham os próximos :)

-- Post escrito com carinho, e muito axé, por Mari Pelli.
-- A Thais Faria e a Ana Soares também escreveram em seus blogs sobre a participação FashRev Salvador. Confiram! 

Roteiro Mapa da Mina em Salvador

Foi tanta gente e lugar incrível que conheci participando do Fashion Revolution Salvador, que essa viagem mereceu virar um roteiro do Mapa da Mina. Pra ler mais sobre como foi o FashRev Salvador, vai nesse post aqui ó. 

Nosso Mapa da Mina ganhou novos pontos em Salvador. <3

Nosso Mapa da Mina ganhou novos pontos em Salvador. <3

Se você for de Salvador ou estiver indo para lá, aqui está uma listinha de dicas pra você se conectar com uma parte do que está acontecendo dentro universo da colaboração, produção e consumo de moda com mais consciência. Faltou tempo pra explorar outros cantos, para além do Rio Vermelho. Espero em breve voltar pra encher mais esse mapa de pontinhos em Salvador <3.

Estas dicas estão todas também no Mapa da Mina, junto de várias outras dicas de diversos outros lugares do Brasil. Além de consultar, vale colocar por lá a sua dica e contribuir pra divulgar iniciativas deste tipo.

Lalá Multiespaço

O Lalá foi um dos grandes parceiros do FashRev Salvador. Foi lá que rolou:

  • A abertura do evento, com direito a show da Cibelle e tudo.
  • Um encontro com blogueiras da cidade.
  • O encontro Futuro da Roupa comigo.
  • As rodas de conversa, sobre os "caminhos para uma moda diferente" e sobre o "panorama da indústria da moda hoje".
  • O bazar de produtores locais com espaço para troca troca.
  • Uma exposição artística com o tema Fashion Revolution. 

Ou seja, já deu pra entender o porque o Lalá é um Multiespaço. Cabem diversos tipos de manifestações neste que não é um bar, nem teatro, mas tem vocação para isto e muito mais.

O objetivo dos criadores era fazer um local para  ser ponto de experiências criativas, colaborativas e, por que não, afetivas. E tudo isso com vista pro mar. Não dá pra ficar melhor, né não? Confira a programação sempre cheia de novidades e vai lá conferir que o espaço é o máximo mesmo.

 
 

Atelier Lull

O Atelier Lull foi o cantinho mão na massa do FashRev. Por lá os participantes aprenderam a fazer sua primeira peça de roupa, transformar usadas em novas, a reaproveitar tecidos transformando em acessórios e também técnicas de estamparia inspiradas em motivos naturais e locais, como o dendê. Sou suspeita pra falar, porque acredito demais que botar a mão na massa é um dos melhores jeitos da gente se colocar no lugar do outro e entender tudo que está envolvido no processo de produção de uma roupa. Mas foi incrível ver a empolgação dos participantes dando seus primeiros pontos e se tornando mais autônomos ao dominarem a costura.

Fora o que este espaço é fofo! O cuidado e a paixão pela costura estão presentes em cada detalhe, em cada quadro, vasinho e objetos de decoração. Além de ser um espaço para cursos e em breve contar com uma sala de co.sewing, onde você paga para usar as máquinas livremente por um período de tempo, o Atelier é a sede da marca de mesmo nome, que produz localmente bolsas e outros acessórios que seguem a mesma linha de fofura. Vale muito conferir e separar umas horinhas para curtir costurar por lá.

 
 

Guapa

A Guapa é uma lojinha multimarcas, também super fofa, onde as pessoas podem encontrar de tudo um pouco. E tudo feito artesanalmente por mentes criativas. Mas além de ser um espaço comercial, a Guapa busca fomentar o mercado criativo de Salvador. Por isso super apoia movimentos como o Fashion Revolution Salvador e promove com frequência feirinhas, bazares e outros eventos que agitam o cenário cultural em torno desse tema da produção local. Vale muito se ligar na fanpage deles para participar das atividades. 

A loja reúne marcas de roupa, acessórios e artesanato, com uma variedade grande de peças lindas que você pode recorrer quando precisar comprar algo por ter certeza da procedência. A relação que o pessoal da loja tem com os produtores que expõe por ali é bem próxima e dá pra sentir no ambiente e na escolha dos produtos que esse carinho e cuidado estão presentes. 

 
 

Marcas locais para se conectar

Uma listinha de marcas locais para se conectar e valorizar a produção de Salvador
(feita a partir do post da Ana Soares fez no Hoje Vou Assim Off):

Com amor, Dora – marca de roupas e acessórios feitos à mão, de forma genuinamente artesanal, com o intuito de espalhar amor à mulheres brasileiras. E olha, ela espalha amor mesmo! Dora é uma mulher incrível, que transborda essa energia carinhosa. Participou de todas as atividades e encheu a gente de presentinhos. Amei conhecê-la. <3

Euzaria – marca baiana de t-shirts com a intenção de resgatar o pertencimento e o valor do ser além do ter. O que mais me surpreendeu ao ouvir os meninos da Euzaria, que também participaram da programação do FashRev, foi a disposição deles em aprender, se reinventar, desapegar de ideias antigas e testar novos modelos. Pessoalmente, eu não acredito muito no modelo de fazer com que a compra reverta para alguma causa, mas a forma como eles vem evoluindo nesta ideia faz valer a pena acompanhar o trabalho da Euzaria :)

Criazon – upcycling de reaproveitamento de peças jeans que seriam descartadas, que procura fortalecer junto ao seu cliente a ideia de um consumo consciente, incentivando-o a comprar com informação, interligando–se com a cadeia produtiva para saber de onde vem o produto. Vi algumas das peças da Criazon ao vivo, pois a marca participaram do Bazar do FashRev e adorei conhecer mais estas alternativas para o reaproveitamento de jeans, que sempre sobra aos montes em encontros de troca e fundos de armário. 

Gefferson Vila Nova – estilista baiano que participou da Casa dos Criadores e também oferece cursos de capacitação para desenvolvimento de coleção a estudantes e profissionais de moda. O Gefferson participou das rodas de conversa do Fash Rev e fez contribuições incríveis sob o ponto de vista do criador de moda para as discussões que a gente levantou. Foi um prazer conhecê-lo também.


Nossa casa

Meu amado companheiro, o Larusso, também embarcou nessa viagem pra Salvador e aproveitou pra puxar um papo muito legal dentro de série Criativamentes sobre Como Viver na Nova Economia (uma treta que enfrentamos diariamente) e também um workshop sobre como Hackear o Empreendedorismo a Serviço da Vida. Ambos organizados pela galera da Comonow. Super queridos, que nos receberam também super bem (já falei como amo esse clima acolhedor?) e com quem trocamos altas ideias inspiradoras.

Os dois encontros aconteceram na Nossa, uma casa colaborativa lindinha que abriga um monte de iniciativas incríveis incluindo um BIBLIOTRECO. Sim gente! Uma "biblioteca" de coisas, onde você pode disponibilizar e alugar aqueles itens que só usa de vez em quando e não faz muito sentido todo mundo ter um. Tipo: cooler, furadeira, barraca e até máquina de costura. Não é lindo isso? E quanta coisa de quem costura não poderia fazer parte de uma iniciativa como esta! Não é porque todo mundo deveria costurar que todo mundo deveria ter uma máquina de costura. Amo essas ideias e vejo a diferença que elas fazem na vida desde a época da Laboriosa89.

 
 

Comendo e se hospedando

Bom, este não é um blog de viagens, mas não tem como não indicar essas delícias de comer e o hotel fofíssimo que a gente ficou por lá. Estas dicas estão fora do Mapa, por não se encaixarem em nossas categorias, mas vale a pena conferir caso você escolha ficar pela região do Rio Vermelho.

Hotel Catarina Paraguaçu

Hotel Catarina Paraguaçu. Lindo e super bem localizado, fizemos tudo a pé! Mas o que mais chamou a atenção foi o cuidado que eles tiveram em homenagear quem fez cada cantinho do hotel. No corredor de entrada está um mural enorme com fotos de todos os trabalhadores e em muitos lugares dá pra ver a assinatura de quem fez, por exemplo, a pintura nos azulejos. Tudo a ver com esse período de refletir sobre "Quem fez nossas roupas?" para estender a reflexão sobre quem fez os espaços em que a gente vive, a comida que comemos e por ai vai. É uma iniciativa simples, mas dando cara e nome pra quem está por trás do que nos cerca vamos retomando um pouco da humanidade destes processos.

 
 

Restaurante Manjericão

O restaurante Manjericão é um pedacinho de floresta no meio da cidade. Entrar nele faz com que você se sinta imediatamente no meio do mato mesmo. Rodeado de verde, pelas janelas só se vê árvores frutíferas por todos os lados. Um fresquinho natural que alivia a vida no meio do calorão de Salvador. E a comida é ótima, por kilo, com preço bem bacana. Muita variedade de pratos diferentes e sem carne vermelha! Amo restaurantes com bastante opões vegetarianas por que sempre me surpreendo com as invenções dos pratos e neste não foi diferente. E olha, pra quem não come carne, é um baita achado.

Há mais de 20 anos o cantinho verde parece resistir em meio as construções que foram nascendo em volta como dá pra ver na foto da fachada.

 
 

Ceasinha

E pra finalizar, não podia faltar a tentativa de levar um tico da Bahia na mala. E, como na maioria das viagens que eu faço, escolhi levar presentinhos e lembrancinhas comestíveis. Acho que esse é o melhor jeito de carregar as memórias dos sabores do lugar sem errar tamanhos, cores e gostos. Bom, até dá pra errar o gosto (mas quem resite a uma boa cocada?), mas se isso acontecer não vai virar uma tralha numa caixa esquecida na casa de alguém. 

Descobri o Ceasinha (aka Mercado do Rio Vermelho) por dica da Ana Soares (eita mulher que sabe das coisas) e gente, o que é aquilo? É tipo uma Zona Cerealista de SP, só que com gostosuras como tapioca com óregano, pimenta, canela, doce de leite e outras variações em um formatinho tipo snack. Sério, maravilhoso. Desse não consegui tirar fotos porque só conseguia me concentrar em ver e provar cada iguaria disponível. Hehehe.


Espero que vocês tenham gostado das dicas! Quem for lá conhecer, me conta o que achou? E quem tiver mais dicas, pode comentar por aqui pra incrementar a lista ;)

-- Post escrito com carinho, e muito axé, por Mari Pelli.

Moda e ativismo: a identidade e resistência das comunidades

No Roupa Livre acreditamos que a moda pode ser ativista. Por isso gostamos de mostrar exemplos de projetos que atuam desta forma, como é o caso do Favela é Fashion, do Jacaré Moda e do Laboratório Fantasma. Cada um a sua maneira acaba fazendo sua parte e contribui para que públicos que não são geralmente representados pela moda, ou se quer tem acesso a ela, possam ser partes integrantes, ativas e protagonistas neste universo - ou em tantos outros.

O Favela é Fashion é um projeto da produtora de moda Juliana Henrik, que oferece cursos de modelo e noções sobre o mercado de moda para moradores(as) do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Surgiu em 2010, motivado pela indignação de Juliana em não conseguir emprego após se formar. Desde então, já realizou alguns desfiles, como o “Compleshion”, em 2013, que contou a história do Alemão.

Conheça um pouco mais:

O Jacaré é Moda segue a mesma proposta. Idealizado por Julio Cesar Mota há mais de 10 anos, na comunidade do Jacarezinho no Rio de Janeiro, o projeto realiza desfiles e funciona como uma agência de modelos. Recentemente fez o casting de um desfile em que foram exibidas peças do Re-Roupa produzidas com peças dos residentes da MALHA.
Olha só que incrível o resultado:

Veja mais fotos aqui!

Esse vídeo conta mais sobre a história do Jacaré é Moda:

Então,  que essas duas iniciativas muito especiais têm em comum?

É que elas são exemplos vivos de como a moda pode gerar uma transformação social positiva. Esses projetos oferecem uma nova oportunidade às/aos moradores/as, bem como ressignificam a moda inacessível - aquela presente nas grandes marcas e desfiles, que impõem padrões de beleza e perpetuam uma ideologia de segregação e exclusão -, dando mais do que acesso, mas visibilidade a toda beleza que reside nesses locais. Beleza essa muitas vezes ignorada pelas engrenagens do nosso sistema e estereotipada por conceitos racistas.

Outro exemplo, foi a inauguração do Laboratório Fantasma nas passarelas do São Paulo Fashion Week em 2016. Em seu primeiro desfile, a marca falou sobre sociedade, resistência e política através de uma coleção protagonizada por modelos que fogem dos padrões da normalidade branca, magra e eurocêntrica.

Laboratório Fantasma | SPFW 2016

Laboratório Fantasma | SPFW 2016

Estes são alguns dos exemplos que representam a moda da resistência (lema este da Jacaré é Moda). Inclusive, Julio Cesar ressalta no vídeo que “o foco é provar para o mundo da moda que esse lugar existe.”

Complementamos dizendo que existe E resiste.  A moda também é/vem da rua e a moda também é/vem da comunidade. Essa moda tem seu próprio significado, valor e beleza. Não vamos deixar que as engrenagens excludentes da moda apaguem essa identidade. Ao contrário, vamos valorizá-las, dando voz, conhecendo e se aproximando de iniciativas como as que apresentamos aqui. 

Veja mais:

Favela é Fashion | Jacaré é Moda | Laboratório Fanstasma

-- Post escrito com carinho, por Bárbara Poerner.

Parceria: Rabble Shoes + Roupa Livre

Parceria: Rabble Shoes + Roupa Livre

Tem parceria nova (e maravilhosa) pintando na área! A partir de agora os sapatos em más condições de uso que sobram nos encontros de troca, serão transformados (e higienizados) em novos pelas mãos da Monique da Rabble Shoes. ❤️ Esse era um baita problemão (ou oportunidade de fazer algo incrível) pra gente, que sempre tenta encaminhar as peças dos encontros da melhor forma possível.

Liberte suas roupas: o Roupa Livre App está no ar.

Liberte suas roupas: o Roupa Livre App está no ar.

E então (finalmente) chegou o dia: o Roupa Livre App está no ar <3 <3 <3

Depois de muitos meses de trabalho, depois de sonhar, planejar, desenhar e testar cada detalhe e cada tela, o aplicativo está ai. Pronto pra você baixar, usar e começar a trocar suas roupas usadas direto do seu celular.

Ainda temos muito pra melhorar, mas vocês não tem ideia da felicidade que é ver o bichinho funcionando direitinho e receber seu primeiro "match". Lindo . <3

(Pra quem ligou neste canal agora, o aplicativo possibilita troca de roupas usadas, funcionando na mesma lógica do Tinder.)