Como começam nossas roupas?

Os materiais têxteis são essenciais no cotidiano humano, fazem parte do início da cadeia produtiva da moda e são a matéria prima da maioria das roupas que temos no mundo. Já pensou como seria sem eles? Este vídeo brinca com esta questão e dá uma noção da dureza que seria o nosso dia a dia sem os tecidos que nos cobrem, cuidam e acolhem:

Contudo, as engrenagens de sua produção podem ser bem problemáticas. Se antes a manufatura artesanal causava poucos impactos negativos por conta da pequena quantidade e velocidade, hoje o sistema industrial tem práticas cada vez mais desumanas, dotadas de métodos poluentes e meios de produção exploratórios. Isto faz com que refletir sobre os têxteis seja crucial para que possamos dar lugar a processos e materiais que viabilizem um sistema mais sustentável e menos degradante.

Por isso, vamos começar no Roupa Livre uma série de posts falando sobre os têxteis e inovações que podem exemplificar essas práticas mais sustentáveis. Vamos contar um pouco sobre como nossas roupas (e demais artigos) são produzidos e como isso começa. Queremos facilitar e disponibilizar essas informações, para compreendermos cada vez mais a complexidade da produção de uma peça, os inúmeros processos que são necessários e como tudo exige inúmeros recursos, tanto ambientais como humanos. Produzir uma roupa é muito impactante.

A partir disso, vamos explicar o que são os tecidos, para onde vão e de onde vem. Vamos lá?

Afinal, o que é um tecido?

Tecido é um material formado por fios entrelaçados, manual ou mecanicamente, que dão origem a uma superficie têxtil, usada para produção de diversos artigos. [1]

Todo fio, que forma o tecido, é composto por alguma fibra. E esta fibra pode ser ou natural ou química.

As fibras naturais são aquelas provenientes da natureza, dividindo-se em vegetais (algodão, linho, rami, juta, entre outros), animais (lã, seda, entre outras) e minerais (amianto). Estas são as mais comuns, mas existem variadas fibras naturais, como a do leite e a do abacaxi.

Fibras Naturais

Já as fibras químicas desdobram-se em duas classes principais: artificiais e sintéticas. As artificiais tem uma parte química e uma parte natural na sua produção; um exemplo é a viscose, que tem como matéria prima natural a celulose, mas passa por processos químicos para se tornar a fibra definitiva; outros exemplos de fibras químicas artificias são o acetato, raiom e triacetato. As sintéticas são 100% químicas e provém de algum polímero, sendo este geralmente o petróleo; poliamida e poliéster são exemplos deste tipo de fibra.

Agora já conhecemos o comecinho da produção das nossas roupas e qual a matéria prima inicial. Como dissemos, essas fibras tornam-se os fios, que depois tornam-se os tecidos. 

O processo de fazer estes fios é chamado fiação. Quer saber como isso acontece? Não deixe de conferir o próximo post!

Acompanhe com a gente!

[1] Esta é uma definição variável; existem superfícies têxteis que não são tecidas, ou seja, não tem os fios entrelaçados, como os tecidos-não-tecidos (TNT e feltro), e outras diferentes composições com materiais que podem também formar uma superfície.

Referências: Chantaignier, Gilda. Fio a fio: tecidos, moda e linguagem. Estação das Letras, SP. 2006.

-- Post escrito com carinho, por Bárbara Poerner.