Como acessibilizar para transformar.

Vamos fazer um exercício? Se você não fizesse parte das pessoas cujo interesse é por esta moda mais consciente, entenderia quando ouvisse falar em upcycle? Consegue imaginar qual seria a sua reação a este conceito se você tivesse acesso a outros meios de comunicação e frequentasse outros círculos sociais?

É maravilhoso quando nos damos conta de que estamos em um cenário de mudança de comportamento e que em muitos aspectos as práticas de produção e consumo estão sim se tornando menos prejudiciais. Porém, para que a expansão de consciência sobre este assunto aconteça, precisamos cuidar para que a linguagem e os processos sejam acessíveis para o maior número de pessoas. Precisamos lembrar sempre que estes conteúdos ainda não fazem parte do dia a dia da maioria e pensar de que forma podemos contribuir para que estejam.

Aqui não estamos falando do aspecto financeiro, sobre quanto custa produto X ou Y, mas sim sobre como podemos fazer novas práticas, descoladas do consumo, serem disseminadas com mais facilidade.

Durante nossas entrevistas no BEFW, nós conhecemos a Byanca, a jovem que fundou a marca Doi.is. A iniciativa reusa jeans que sobram das fábricas e transforma o que seria rejeito em novas peças. Além disso elas também propõe a possibilidade de reuso para o público final, que podem levar peças antigas e assim ganham desconto em novas.

Ouvimos um pouco da realidade de alguém que está começando a propor algo neste sentido atuando fora de um circuito onde este tipo de inovação na cadeia da moda já é algo comum. Além de falar sobre as dificuldades e aprendizados do começo, ela nos sinalizou a importância de encontrar novas formas de apresentar estes conceitos para diferentes públicos: "No centro do Rio todo mundo já sabe o que é upcycling, lá em São Gonçalo as pessoas não têm essa noção."

Com pouco mais de cinco meses de trabalho ela diz que ainda encontra dificuldades para explicar aos consumidores finais o que são as peças sem causar um estranhamento. Por isso ela e sua sócia procuram não usar expressões em inglês e esta é uma das formas que encontram para tornar mais acessível o conceito. "A gente nem gosta de usar esse termo pois tem muita gente que não entende. Então a gente fala reuso, resgate da peça..."

Confira a entrevista completa, no canal do Roupa Livre:

Desde que participamos do BEFW, ouvimos a Carol Delgado (O Puxadinho) e trocamos ideias com outras pessoas, estamos nos sensibilizando sobre a importância da acessibilização. De cuidar da linguagem e da forma como comunicamos o que fazemos, para que esteja acessível para a maior quantidade possível de pessoas e possa beneficiá-las. 

Te propomos esta reflexão. Te convidamos a perceber o seu papel nesse processo de conscientização e acessibilizão do conhecimento. Vamos junto(a)s?

--- Post escrito com carinho, por Bruna Neto e Mari Pelli.