Como vestir nossas causas: moda e ativismo.

Há quem se engane e ache que a moda é fútil e frívola. Realmente, suas engrenagens podem ser muito excludentes e exploratórias, mas, como há sempre outra maneira de fazer as coisas, falar de moda pode ser falar de ativismo.

Isso porque ela é um fenômeno que reflete e interfere diretamente na sociedade, compondo as engrenagens dos nossos sistemas políticos, econômicos, sociais e culturais. Sendo assim, todos os atos e processos que envolvem a moda são atos e processos que envolvem e modificam a sociedade, a política, a economia e a cultura.

Produzir fibras e fios é um ato sociopolítico. Tecer tecidos com essas fibras é um ato sociopolítico. Confeccionar peças com esses tecidos é um ato sociopolítico. Comprar estas peças é um ato sociopolítico. E, por fim, vestir essa compra é um ato sociopolítico. Tudo está relacionado. 

Nossas escolhas de consumo são votos. Financiamos realidades a cada compra.

Tudo isso porque todos esses processos demandam recursos: ambientais e humanos. Terra para plantar, alguém para costurar, uma pessoa pra usar. Ou seja, a moda é diretamente ligada a relações humanas e relações com o nosso planeta. Sabemos que este sistema de moda é prejudicial ao planeta e as pessoas, provocando inúmeras consequências negativas. Por isso nosso ativismo pode - e deve - se manifestar a partir destas relações, trabalhando para mudar e ressignificar este sistema.

Imagem: blog Modest Materialist

Imagem: blog Modest Materialist

Mas, afinal, o que é "ser ativista"?

"Ativismo" se caracteriza como a transformação da realidade por meio de uma ação prática. Como nós, do Roupa Livre (e acredito que muito(a)s de vocês também), almejam um mundo mais justo e que respeite os direitos humanos e o meio ambiente, ser um ativista na moda é buscar um sistema com equidade, transparência, sem exploração e sim cooperação, onde não haja sangue e dor para produzir uma peça.

Costumo pensar que ser ativista vai além de compactuar com uma causa; é também lutar por ela. E uma forma bem efetiva de lutar pelo que se acredita é atuar dentro do nosso campo de ação (seja ele nossa profissão, hobbie, dentro de casa, com a família, amigos, etc.), seguindo os princípios que acreditamos. É possível incorporar nossas aspirações à ações práticas que transformem a realidade. Um passo de cada vez.

Pelo Roupa Livre damos uma forcinha para quem está neste caminho, ao promover eventos, dar dicas e produzir iniciativas que facilitem a vida de quem quer novos hábitos ao se vestir e pensar moda.

Relacionar moda e ativismo socioambiental é ter uma visão crítica sobre o sistema de moda, suas problemáticas e como ele interfere na sociedade. E, a partir disso, elaborar soluções e iniciativas que modifiquem e melhorem essas condições, promovendo assim uma nova maneira de pensar e fazer moda.

Não que incorporar em nossa rotina estes novos paradigmas seja uma tarefa fácil. Mas também não é nada impossível e já tem muita gente fazendo acontecer.

Vem conferir quem são essas pessoas nos próximos posts ♥

-- Post escrito com carinho, por Bárbara Poerner.