Moda e ativismo: conheça as Street Stores

Já falamos por aqui sobre como a moda pode ser ativista. Agora vamos exemplificar como.

Pra começar, você já ouviu falar das Street Stores, ou Lojas de Rua?

São "lojas" ao ar livre, montadas em locais públicos, por um determinado período, onde as roupas (na maioria dos casos doadas) estão disponíveis gratuitamente para quem não tem como comprá-las. Os novos donos das peças doadas escolhem as suas peças com mais autonomia, experimentando, se olhando no espelho e podendo optar por aquelas que eles realmente querem. Para muitos, uma oportunidade rara. O fantástico nas Street Stores é que elas promovem uma lógica de doação que além de transferir um bem a uma pessoa que não teria acesso, dá a ela poder de escolha. Um pequeno detalhe, mas que muda toda a relação.

A mais famosa é a The Street Store, iniciativa que surgiu em 2014 na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Entenda um pouco mais:

A partir disso, foram realizadas várias Street Stores pelo Brasil, como em Belo Horizonte, Florianópolis e São Paulo. Surgiram também outros projetos semelhantes, como o Trabalho de Conclusão de Curso da estudante Jaqueline Soares Lopes, seguindo a mesma temática do The Street Store. Outro em Brasília, que foi mais amplo e contou com outros serviços como cortes de cabelo, alimentação e assistência jurídica; tudo gratuitamente.

Efetivar ações como essas, do Street Store, são importantes, mas vale atentar o porquê de serem necessárias. Estas medidas são paliativas, pois atuam na consequência e não na causa. Precisamos questionar o porquê de existirem pessoas com roupa, alimento e moradia insuficientes, enquanto outras desfrutam de vastas opções de compras e aquisições. 

Inclusive, para aprofundar e seguir nesta linha de reflexão, recomendamos este ótimo texto do Modefica sobre as questões das ações e marketing filantrópico.

Então, depois de questionar, refletir e identificar as causas do problema, podemos - e devemos - começar a agir. Debater, articular e promover medidas que possam, de pouquinho em pouquinho, mudar algumas realidades. Modificar o macro (o sistema vigente que trás estas mazelas) é um processo em andamento, então se torna importante atuar no micro, nos pequenos contextos ao nosso alcance e nas pequenas coisas que fazem diferença na vida de alguém.

É possível, e isso porque não estamos sozinhos(as) nessa jornada. Só estamos espalhados(as). Mas já começamos a nos reunir. 

-- Post escrito com carinho, por Bárbara Poerner.