Moda e ativismo: a identidade e resistência das comunidades

No Roupa Livre acreditamos que a moda pode ser ativista. Por isso gostamos de mostrar exemplos de projetos que atuam desta forma, como é o caso do Favela é Fashion, do Jacaré Moda e do Laboratório Fantasma. Cada um a sua maneira acaba fazendo sua parte e contribui para que públicos que não são geralmente representados pela moda, ou se quer tem acesso a ela, possam ser partes integrantes, ativas e protagonistas neste universo - ou em tantos outros.

O Favela é Fashion é um projeto da produtora de moda Juliana Henrik, que oferece cursos de modelo e noções sobre o mercado de moda para moradores(as) do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Surgiu em 2010, motivado pela indignação de Juliana em não conseguir emprego após se formar. Desde então, já realizou alguns desfiles, como o “Compleshion”, em 2013, que contou a história do Alemão.

Conheça um pouco mais:

O Jacaré é Moda segue a mesma proposta. Idealizado por Julio Cesar Mota há mais de 10 anos, na comunidade do Jacarezinho no Rio de Janeiro, o projeto realiza desfiles e funciona como uma agência de modelos. Recentemente fez o casting de um desfile em que foram exibidas peças do Re-Roupa produzidas com peças dos residentes da MALHA.
Olha só que incrível o resultado:

Veja mais fotos aqui!

Esse vídeo conta mais sobre a história do Jacaré é Moda:

Então,  que essas duas iniciativas muito especiais têm em comum?

É que elas são exemplos vivos de como a moda pode gerar uma transformação social positiva. Esses projetos oferecem uma nova oportunidade às/aos moradores/as, bem como ressignificam a moda inacessível - aquela presente nas grandes marcas e desfiles, que impõem padrões de beleza e perpetuam uma ideologia de segregação e exclusão -, dando mais do que acesso, mas visibilidade a toda beleza que reside nesses locais. Beleza essa muitas vezes ignorada pelas engrenagens do nosso sistema e estereotipada por conceitos racistas.

Outro exemplo, foi a inauguração do Laboratório Fantasma nas passarelas do São Paulo Fashion Week em 2016. Em seu primeiro desfile, a marca falou sobre sociedade, resistência e política através de uma coleção protagonizada por modelos que fogem dos padrões da normalidade branca, magra e eurocêntrica.

Laboratório Fantasma | SPFW 2016

Laboratório Fantasma | SPFW 2016

Estes são alguns dos exemplos que representam a moda da resistência (lema este da Jacaré é Moda). Inclusive, Julio Cesar ressalta no vídeo que “o foco é provar para o mundo da moda que esse lugar existe.”

Complementamos dizendo que existe E resiste.  A moda também é/vem da rua e a moda também é/vem da comunidade. Essa moda tem seu próprio significado, valor e beleza. Não vamos deixar que as engrenagens excludentes da moda apaguem essa identidade. Ao contrário, vamos valorizá-las, dando voz, conhecendo e se aproximando de iniciativas como as que apresentamos aqui. 

Veja mais:

Favela é Fashion | Jacaré é Moda | Laboratório Fanstasma

-- Post escrito com carinho, por Bárbara Poerner.