Encontro de Trocas + lançamento do Roupa Livre App em Floripa.

Na última segunda rolou mais um encontro de trocas e o lançamento do Roupa Livre App em Floripa na UDESC, Universidade de Santa Catarina que tem um dos principais cursos de moda do pais.  E o que foi lindo esse encontro hein? ♥

Foi super astral, ao ar livre e a galera mandou bem melhor trazendo as peças mais caprichadas, um ponto que a gente reforçou para melhorar desta vez. Cêis não sabem a alegria que é abrir uma sacola e ter cheirinho de roupa lavada. Tinha até peça recém saída da máquina! Muito amor.

A gente estima que tenham ido umas 200 pessoas e com isso cerca de 2.000 peças de roupa circularam por lá. Um montão! E mesmo assim, sobraram menos peças do que na primeira edição. Foram 275 peças sem novos donos no final do dia. Isso é outro indicativo de que a troca rolou legal. Já estamos estudando e abertas a sugestões de como encaminhar estas peças.

Confira as fotos pra sentir como foi o clima do evento:

As fotos incríveis são da Renata Miguez.

Aos poucos, uma melhoria por encontro, estamos botando essa energia para circular com cada vez mais qualidade. Espero que quem foi, tenha curtido as trocas tanto quanto nós curtimos o movimento do evento.

Este foi o nosso evento com maior público! Demais né? Porém, como todo evento que vai tomando corpo, algumas questões que eram menores em edições passadas, se potencializaram nesta. Viemos aqui dividi-las com vocês pra pensar e agir pra melhorar essa história toda juntos(as). O textão vai ser maior do que o da parte boa, mas porque a gente trouxe bastante reflexão junto, não por que as partes ruins foram maiores que as boas não.

Muito pelo contrário, adoramos ver todos(as) vocês por lá e a vibe geral. Foi demais. ;)

#1 - CONTRIBUIÇÕES NA CAIXINHA

Deixamos uma caixinha de contribuição espontânea na entrada do evento.

Como será que ficou o saldo final desta conta?

Como será que ficou o saldo final desta conta?

A gente precisava arrecadar no mínimo R$ 360 pra cobrir o que tiramos dos nossos bolsos para fazer o evento rolar. Sim, porque pras peças estarem organizadas: alugamos cabides, pra gente parar de pé: compramos lanchinhos, pras informações estarem visíveis: fizemos plaquinhas. Tudo isso está envolvido ao se fazer um encontro com este e muitas vezes passa despercebido. Além disso esperávamos ter o nosso trabalho e tempo remunerado de alguma forma, mesmo com o mínimo, como pra pagar o custo de ir até lá, por exemplo. Tem coisas que ainda não conseguimos pagar com botões, infelizmente. 

Porém, a arrecadação total fechou em R$ 129,40. Ou seja, R$ 230,60 a menos do esperado. Como muitos comentaram que estavam sem grana na hora, então pra quem quiser ajudar a gente a cobrir este prejuízo ainda dá tempo.

Escolha o valor que puder no botão acima e ajude a completar a diferença.

Amamos a ideia de fazer as coisas com contribuição espontânea. Chegar num nível de co-responsabilização maduro em que dá pra deixar a parada livre pra cada um dar o que pode e conseguir fechar as contas é irado! Então, se você chegou em casa feliz com as suas trocas, querendo participar do próximo, ou até insatisfeito mas acreditando que esta é uma boa ideia, contribua com qualquer valor por aqui:

Estamos buscando cobrir o valor gasto e acredito que vamos conseguir. Semana que vem postamos o resultado deste chamado para dizer se rolou arrecadar o que falta. E, de novo, também aceitamos contribuições em forma de créditos do Banco do Tempo. Se você é correntista fale com a gente pra saber como fazer.

Depende disso pra gente pensar se vamos seguir usando nos próximos a contribuição espontânea ou se vamos colocar um valor fixo, pequeno e mínimo, para participar (em $$ ou horas do Banco de Tempo ). Vamos tentar conseguir doação de um lote grande de cabides iguais (precisamos de pelo menos 400), mas de qualquer forma, gastos sempre existirão e a necessidade de remunerar o tempo de quem se dispõe também.

Ou seja, contribuindo da forma que puder, você ajuda o evento a existir. Como já ressaltamos, além dos gastos com materiais, organizar um evento como este demanda muita energia, dedicação e tempo. Passamos horas dos nossos dias projetando tudo. E se por aqui a gente reflete sobre o que está por trás da forma como as roupas são feitas tradicionalmente, também precisamos ter consciência sobre o que está por trás das formas alternativas de distribui-las. E nos responsabilizarmos por isso.

Além do antes e durante, o depois também é super trabalhoso, pois temos que encaminhar todo o excedente. Excedente este que são de muitas pessoas que participaram, ou seja, trabalhamos pra resolver um problema que é de todos, é coletivo. Valorizando, participando e contribuindo você financia uma nova realidade, um novo jeito de consumir e lidar com as roupas.

 

#2 - BOLOLÔ DE GENTE ESPERANDO AS PEÇAS ENTRAREM

Esse vídeo ilustra, no que a gente entende como crítica, o caos que se tornaria a disputa num balaião de roupas do Alexander Wang:

No encontro a gente passou looonge desse caos. Mas o clima de bololô rolou, com bastante gente se precipitando ao pegar as peças direto da mão das pessoas, antes mesmo de chegarem as araras. Bem desagradável.

Este é exatamente o tipo de comportamento que a gente não gostaria que existisse no mundo. Mas que ao mesmo tempo faz parte da forma como estamos acostumados(as) a consumir. A ansiedade, competição e o sentimento de urgência que o consumo gera estão em nós e não vai ser de um dia pro outro que vão sumir. Não adianta só mudar o modelo de transação (do dinheiro-papel pro dinheiro-botão) e nem mudar a forma que o recebimento das peças acontece, para isso vai mudar também. Acreditem já fomos em encontros dos mais variados formatos e esse clima geralmente aparece hora ou outra. Estamos em um momento de transição de comportamento. Precisamos reconhecer isso e não esperar que tudo mude de uma hora pra outra. 

Nós acreditamos que isso só muda MESMO com o passar do tempo e num nível muito pessoal. Foi depois de algum tempo praticando este outro jeito de olhar as coisas que sentimos isso mudar em nós, por exemplo. Isso muda quando a gente percebe e confia que tem pra todo mundo - porque sim, tem. Se organizar todo mundo fica rico.

Muda quando a gente entrega uma peça que achou linda pra uma outra pessoa porque vai ficar melhor nela (já vimos acontecer!). E afinal já está na hora de pararmos de competir uns com os outros para nos ajudarmos, não acham?

Muda quando a gente chega em casa animada(o) com uma nova pilha de roupas e um tempo depois já tem a sensação de ter mais do que o suficiente.

Muda quando no próximo encontro dá pra entregar mais outras peças e precisar levar menos pra casa, por perceber que as trocas possibilitam combinações infinitas.

Muda quando a gente, depois de 2 dias, nem lembra mais qual era a peça que despertou a ansiedade.

Muda quando no próximo encontro se depara com aquela peça que não rolou pegar, mas está lá te esperando de novo (siiim, isso também acontece).

Em resumo: não precisa se afobar! A ideia é que as peças circulem e não fiquem mais enfiadas pra sempre nos armários. E que também circulem energias e experiências. Não só pra renovar o guarda-roupa, mas pra renovar nosso olhar para elas.

O que podemos fazer pra resolver isso?

Por enquanto, o que dá pra fazer pra amenizar essa afobação é tentar restringir o acesso e não permitir o acumulo de pessoas na chegada. Tentamos fazer isso, mas por mais que a gente pedisse, sempre voltava a acontecer. Talvez tenha que ter alguém só pra isso, mas só consideramos fazer isso se não tiver outro jeito. Achamos muito ruim isso de ter que criar cada vez mais controle. A parada é irmos construindo mais conforto e leveza juntos. Receber todas as peças antes, só concentraria o problema em um horário específico (o da abertura do evento), então está descartado. 

A logística de quem trouxe a peça ter que levar até a arara só daria pra mudar tendo mais gente ajudando. Então quem estiver incomodado com isso e quem quiser ajudar, tá convidado a ir no dia, pegar as peças na entrada e levar pras araras. Senão, vai continuar assim porque não damos conta de fazer isso.

E claro, pra quem ficou no bololô, fica o convite de fazer essas reflexões, pensar mais no todo e contribuir não fazendo mais isso no próximo. Não precisa. Todo mundo encontra peças legais se fizer tudo com mais calma. Até pensamos em propor umas meditações ou algo que mude esta vibração ansiosa, mas não sabemos como poderia acontecer. Quem tiver alguma ideia neste sentido, adoraríamos ouvir.

Acho legal reforçar que a gente não tá nessa, organizando estes encontros, só pra distribuir roupa de graça. Mesmo porque a gente não acredita que não tem roupa de graça, já que diariamente pagamos os custos ambientais da sua produção.  A gente também não tá nessa porque acha que os preços dos ofertões tão caros e nem porque a gente gosta do clima de Black Friday. Muito pelo contrário.

A gente tá nessa porque acredita que tem roupa demais no mundo e reconhece que a produção desenfreada pra dar conta dessa necessidade de "sempre mais" tá destruindo o planeta e explorando pessoas. A gente, mais do que acreditar, tem certeza que tem outras formas de distribuir e consumir roupas. Por exemplo, aproveitando o melhor delas ao trocar depois de não nos servirem mais. E por isso articulamos alternativas como estas, e várias outras, onde buscamos sempre melhorar e facilitar esse acesso a novos olhares e jeitos de lidar com os excessos e descartes. Não é perfeito, mas é nosso melhor.

(E ah, outra forma de evitar bololô também rolar trocar do conforto do seu celular. Já tem até um aplicativo para isso. Ouviu falar? Roupa Livre App hehehe)

 

#3 - A tal "PRIORIDADE" DOS CURADORES

Ouvimos alguns comentários sobre o fato de que nós, que estávamos na curadoria da entrada, estávamos escolhendo as melhores peças. (Estes sim são daqueles comentários que não dão muito gás pra continuar, mas a gente escuta, respeita e segue o barco.) O que temos pra dizer sobre isso é que quem quiser ter essa ""prioridade"" - bem entre aspas, porque não é prioridade nenhuma - também está mais do que convidado a se juntar à organização. Vai ser muito bem vindo(a) no próximo, organizando o evento antes, agendando o lugar, os cabides, planejando a divulgação, escrevendo posts, confeccionando plaquinhas, ajudando a receber as peças, montando as araras, cuidando para o espaço pra ficar organizado (Por mais que a gente ache que todo mundo pode cuidar disso né? Pelo menos devolver no cabide uma peça que pegou...), a ficar até 22h fechando as caixas com as peças que sobraram, pensar no que fazer com elas depois... e por ai vai.

Não tem nada mais justo do que as pessoas que se responsabilizam por todas estas tarefas e fazem a coisa acontecer, poderem escolher as peças que fizerem sentido pra elas assim que chegam. Geralmente mal temos tempo de ir ao banheiro ou almoçar com calma. Seria impossível parar pra ir ver tudo nas araras. Fora o fato de que todo mundo que trabalhou, trouxe peças para trocar. Ou seja, estavam participando da troca como todos.

Pra quem viu nossas sacolas "cheias" em baixo da mesa e comentou (-_-), está também convidado a se juntar nos consertos das peças do outro encontro, que enchiam metade de uma das sacolas e também a trazer fitas, comidas, tesouras e outros materiais que usamos e que estavam ali com as nossas coisas embaixo da mesa. Não, não eram sacolas cheias de peças do encontro; eram sacolas cheias de materiais que faziam o encontro acontecer - se ficou esta dúvida no ar.

Não que a gente precise de tanta explicação assim, mas como buscamos mais transparência no mundo não tem problema nenhum em deixamos tudo na maior sinceridade possível. ;)

 

#4 - E QUE TAL TROCAR O "VOCÊS" PELO "A GENTE"?

Vamo junto galera! Pra cada ideia que vocês dizem "ah, mas VOCÊS poderiam fazer de tal jeito", cabe um "eu acho que a assim pode melhorar e EU posso ajudar a fazer também". Pra gente fazer as coisas melhores (não só nesse encontro, mas na vida e no mundo como um todo - vocês pensam que é só sobre roupa, mas vai muito além), é preciso contribuir, botar a mão na massa e não só exigir ou esperar que seja de um outro jeito. Como já dissemos, a gente faz o melhor que pode. Se tiver mais gente junto, esse melhor vai ser ainda melhor. Serião. Chega junto. :) 

Se rolar essa mudança de visão de que estamos à serviço das suas trocas pra todo mundo enxergar que está fazendo isso juntos, a experiência toda muda.

E pro que a gente não conseguir fazer, considerando nossas limitações, tomara que surjam muitos outros encontros de troca que atendam. Com formatos e organizadores diferentes pra fazer acontecer. Quanto mais, melhor!

Muita gente também sempre pergunta "quando vai ser o próximo?" "vai ter mais?" "quando vocês vão fazer aqui na minha cidade?". Nós ficamos bem felizes que vocês gostam e se interessam pelos eventos que organizamos; fazemos tudo com muito amor mesmo. Mas a ideia não é centralizar. Cada um pode (e deve) ter autonomia pra fazer coisas muito legais, produtivas e boas pro mundo. Não precisamos esperar sempre que alguém faça pela gente. Por isso, às vezes estas perguntas podem ser substituídas por "vocês me ajudam a fazer um na minha cidade?" "vocês podem me dar dicas de como montar um desses no meu bairro?". Dá uma espiada no nosso passo a passo para quem quer organizar o seu próprio encontro de trocas. Queremos disseminar cada vez mais esses projetos, queremos criar redes que se espalhem, se edifiquem. Estamos sempre abertas a ajudar, dar dicas e informações (ou até mentoria) que contribuam pra vocês realizarem eventos assim ou semelhantes.

 

#5 - E VAI TER MAIS?

Estamos digerindo todos estes aprendizados, descansando as pernas e alongando as costas. A ideia é sim fazer outros, tomara, uma vez por mês. A previsão é de que o próximo encontro em Floripa role em abril. Mas pra que role mesmo, toda contribuição ($), gás, incentivo e principalmente oferta de ajuda, conta. Então, fica pra você a pergunta: quando vai ser o próximo?

Nos escreva em roupalivre@gmail.com para fazer acontecer junto.

 

#6 - AGRADECIMENTOS 

À Pamela Lopes, Cassia Souza, Priscila Róhden, Jéssica Albert, Flávia Drummer, Leticia Caponera, Isadora Dourado e Marcelo Tormena, que trabalharam no dia e fizeram a coisa acontecer. Vocês são incríveis. À UDESC, que cede o espaço para fazer rolar e a Neide Schulte que segue levantando esta bandeira dentro do curso de moda com o ECOMODA e tantas outras ações - e que missão essa viu! Se esquecemos de alguém, pedimos desculpa, mas a correria do dia fez a gente ficar meio zonza.

Nossa gratidão a todo mundo que colaborou e fez o evento acontecer. ♥
Por hoje é só. Seguimos.

-- Post escrito com carinho (e vontade de fazer diferente), por Mari Pelli e Bárbara Poerner.