Upcycling da Comas: criatividade aliada a técnica e processo.

Se você acompanha o Roupa Livre já sabe da nossa promessa de Ano Novo de postar um contéudo novo por semana. Até aqui, estamos cumprindo direitinho \o/ e amando trazer pra vocês textos e vídeos sobre temas que a gente adora falar: iniciativas que estão repensando a forma de fazer roupas em um mundo que já está lotado delas. 

Já postamos nossas conversas com o pessoal do Banco de Tecido, d'Alinha e com a Flávia Aranha. Com todos eles aprendemos muito! Nesta semana, trazemos o nosso papo com a Agustina Comas que desde 2008 trabalha com upcycling e é fundadora da Comas, uma marca que desenvolve formas estratégicas e criativas para lidar com sobras de peças de grandes indústrias.

O trabalho da Augustina permite que roupas que seriam descartadas tenham uma nova chance na cadeia da moda ao serem transformadas em peças com um design maravilhoso. Mas além de trabalhar com o upcycling pura e simplesmente, a Comas se preocupa em criar peças super duráveis e versáteis, além de buscar sistematizar este processo de produção para poder ganhar escala.

Agustina enxerga que o desenvolvimento destas soluções são uma medida paliativa, que resolve o problema que vivemos atualmente. Mas num mundo ideal ela não teria este tipo de matéria prima para trabalhar, já que a produção de roupas não geraria resíduos num volume tão gigantesco.

(E daí ela aplicaria toda a sua genialidade na criação de outras coisas incríveis. É assim que a gente pensa. Se não tivessemos os problemas que enfrentamos hoje, as mentes criativas que estão focadas em resolvê-los, estariam trabalhando em outras coisas ainda mais incríveis. ♥)

Confira a entrevista:

A visão de Agustina é de que é fundamental sistematizar este conhecimento, com mão de obra especializada e muito desenvolvimento de técnica processual. Segundo ela, quando o trabalho artesanal ganha outra escala, ele se torna uma alternativa possível para mais pessoas. "Só assim vamos conseguir pegar o cliente da grande indústria", explica.

Quando pedimos que falasse sobre seu olhar de mercado, Agustina abre o jogo: hoje seu modelo de negócio ainda não se paga, principalmente por causa da infraestrutura que necessita. Mas o trabalho segue na crença de que aos poucos o mercado está mudando e que o movimento de conscientização, inclusive das grandes marcas é um indicativo disso. 

Acompanhe a segunda parte da entrevista onde falamos mais sobre o mercado: 

A gente considera fundamental trocar ideias de forma bem aberta com quem está construindo estas soluções, pra criar uma noção real dos desafios que todos estão enfrentando. Assim percebemos que estamos conectados e enfrentando problemas parecidos (que ai também está com dificuldade de fazer a conta fechar levanta a mão o/). Há sempre muito mais por de trás dos louros que são muito mais divulgados do que os perrengues. E a gente precisa falar sobre os dois lados dessa moeda, sempre.

Num universo antes conhecido por ser tão fechado como o da moda, com informações guardadas a sete chaves, quanto mais as conversas rolarem soltas, maiores as chances de solucionarmos questões que afetam a todos. A mudança precisa ser sistemica e neste sentido, repensar a matéria prima e não repensar, por exemplo, como as informações são trocadas com o mercado, é fazer só uma parte do que é necessário.

Que as poucos a gente vá conseguindo percorrer este caminho e fazer a transformação acontecer de forma integral. Que o exemplo da Augustina nos sirva para inspirar na jornada. 

--- Post escrito com carinho, por Bruna Neto e Mari Pelli.